Moisés Mendes/DCM – Uma operação militar organizada para caçar bandidos nos subúrbios e que resulta na morte de mais 60 pessoas parece um sucesso. Mas é muito mais do que um fracasso.
É uma ação criminosa do Estado, para que a polícia faça o serviço sujo da execução sumária a mando da política. É mais do que um fracasso também e principalmente porque pelo menos seis policiais morreram.
Foi o que aconteceu no Rio a mando do governador bolsonarista Claudio Castro, sob o pretexto de que é preciso prender e, se preciso, matar integrantes do Comando Vermelho.
É o que acontecerá em muitas cidades em 2026, no ano da eleição, para que governadores da direita e da extrema direita sejam vistos como caçadores de bandidos.
Se o povo pede o combate ao crime organizado e mais segurança, para rimar os governos responderão com matanças. Mesmo que não seja legal, nem racional e tampouco razoável, porque operações policiais não podem transformar as periferias em campo de guerra.
A Folha de S. Paulo informou que “do total de vítimas, ao menos 50 são apontadas pela polícia como suspeitas de serem criminosas”. E acrescentou que “seis pessoas foram baleadas, sendo três inocentes, incluindo uma mulher que estava dentro de uma academia”.
Pelo menos 50 mortos são criminosos, definidos como tal pela polícia. Seis pessoas foram baleadas e, dessas seis pessoas, três são inocentes. É um balanço precário e torto.
A Folha de S. Paulo, como se fizesse assessoria para a polícia, informa quem é bandido e quem, entre os feridos, é inocente. E legitima, pela voz do jornalismo, uma espécie de julgamento público de todos.
Se o Ministério Público, as organizações da sociedade e o Judiciário deixarem, teremos 2026 como o ano das matanças. Porque essa é a leitura que os governos fazem do maior medo dos brasileiros, que não temem mais a inflação e o desemprego.
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