A linguagem da resenha é universal. Quando bem utilizada, consegue gerar conexões independentemente do viés ideológico do interlocutor.

Por exemplo, vez ou outra alguém chega para mim e diz “dou valor demais às suas resenhas, mas seu defeito é ser do PT”. A pessoa que fala isso atesta que “furamos a bolha” e criamos com ela uma conexão, ainda que precária.

A precariedade não é um problema, pois o importante é que já houve uma conexão, sem a qual não há possibilidade de exercício influência pelo carisma. O passo seguinte é transformar o precário em consistente.

No país que expulsou e depois elegeu Lampião como prefeito, um “elemento” de direita conhecido como Cabo Deyvison encontrou o seu caminho na comunicação política mediante um exercício caricato da linguagem universal da resenha.

Utilizando termos como “elemento” e “babão” para se opor ao oligarca do chapéu de couro, o cabo furou a bolha da direita e cresceu nas redes sociais.

Agora está deitado numa rede em frente a um prédio da prefeitura, protestando contra um secretário municipal que, segundo ele, não atende as demandas das periferias.

Ao lado dele, um blogueiro de direita de bermuda e chinelo, dando visibilidade ao protesto.

Algo simples. E eficaz.

Na comunicação política não existe fórmula pronta. Existem conceitos básicos, mas cada jogador tem que encontrar o seu formato ideal.

A despeito das discordâncias ideológicas que tenho com ele, devo reconhecer que o elemento caçador de babões do coronel de chapéu encontrou o seu formato: a resenha caricata com linguagem popular.

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