O boicote bolsonarista às Havaianas não é protesto, é sintoma. Sintoma de uma desinteligência política crônica, onde o impulso substituiu o pensamento e a histeria virou método. Não há causa, não há lógica, não há alvo real — só a necessidade infantil de destruir alguma coisa para fingir que ainda se existe politicamente.
O espetáculo é patético: gente rasgando sandálias, jogando no lixo o que poderia ser usado ou doado, comemorando o desperdício como se fosse virtude. Os mesmos que vivem berrando sobre “valores cristãos” não conseguem dar um passo elementar na direção da caridade. Preferem o gesto performático, vazio e cruel, à simples ideia de ajudar um pobre. A fé, aqui, vira desculpa; a hipocrisia, regra.
É por isso que o bolsonarismo é o pior inimigo da Igreja Cristã no Brasil. Não porque a enfrente, mas porque a apodrece por dentro. Converte o Evangelho em panfleto, a moral em arma política e a religião em culto à ignorância ressentida. Onde Cristo pregava desapego, eles celebram o lixo. Onde havia amor ao próximo, instalaram o ódio como doutrina.
No fim das contas, o boicote não atinge marca nenhuma. Ele apenas expõe, mais uma vez, a falência moral, intelectual e espiritual de quem ainda chama isso de movimento.