O boicote bolsonarista às Havaianas não é ato político. É truque de ilusionismo barato. Enquanto a plateia é distraída com sandália no lixo, tenta-se empurrar para debaixo do tapete o essencial: o escândalo que atingiu Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, após vir à tona a apreensão de mais de R$ 400 mil em espécie em operação da PF. Quando a sirene toca, eles aumentam o barulho.
Isso explica tudo. O bolsonarismo não tem pauta. Não fala de economia real, não propõe desenvolvimento, não entrega política pública. Seu programa é outro: blindar aliados, atacar investigações e fabricar histeria para manter a base em transe permanente. Polêmica substitui proposta. Grito ocupa o lugar do governo.
A tal “guerra cultural” serve a um único propósito: abafar escândalos com ruído. Criar pânico, espalhar cortina de fumaça, vender caos como virtude. É sempre assim.
No fim, sobra o silêncio do que não conseguem explicar — e o barulho ensurdecedor de quem não tem nada a dizer.