O bolsonarismo não é conservador. Pelo contrário: é um carcinoma que destrói até as instituições conservadoras por dentro.
Foi o bolsonarismo que criou o católico anti-papa, o evangélico seguidor de Barrabás, o político anti-corrupção defensor da PEC da Bandidagem e, é claro, o patriota defensor de nação estrangeira.
Entre as instituições com mais setores desmoralizados pelo bolsonarismo estão as forças armadas.
Veja o caso do general Girão, que hoje comemorou a intervenção militar de uma potência estrangeira num país fronteiriço com Brasil.
Um general que desconsiderou a fragilização que o ataque causará no continente sul-americano, principal zona de influência geopolítica brasileira.
Um general que desconsiderou que uma guerra num país fronteiriço, com possibilidade de se estender para a Colômbia, fragilizaria nossas fronteiras e, por conseguinte, a segurança do nosso território.
Um general que desconsiderou a Constituição que jurou obedecer, a qual em seu artigo 4º estabelece princípios a serem seguidos pela pátria na sua atuação geopolítica, tais como a independência nacional e a autodeterminação dos povos.
Um general que, para se reeleger, está disposto a defender um precedente militar que pode ser utilizado para os Estados Unidos invadirem o território do Brasil.
Girão é um general que envergonha a farda.
E o bolsonarismo é um carcinoma.