Brasil 247 – O jornalista e analista geopolítico Pepe Escobar afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pretende “recolonizar” o sul global e impor um novo ciclo de hegemonia ocidental sobre a maior parte do planeta. A declaração foi feita em vídeo publicado no YouTube, no qual Escobar analisa o discurso do secretário de Estado Marco Rubio durante a Conferência de Segurança de Munique.

Falando a partir de Moscou, no contexto das celebrações do Ano do Cavalo de Fogo e no mesmo período do início de negociações entre Estados Unidos e Rússia em Genebra, Escobar avaliou que “a máscara caiu” em relação à agenda internacional do que ele chama de administração “Trump 2.0”.

Segundo o analista, o pronunciamento de Rubio na conferência — que ele define como “conferência de insegurança de Munique” — teria explicitado uma estratégia de restauração da predominância ocidental sobre o sul global. Em suas palavras, ficou clara a intenção de “recolonizar o sul global”, apresentada sob o discurso de “restaurar” o predomínio dos Estados Unidos e da Europa.

Escobar afirma que a proposta envolveria convocar os países europeus a apoiar Washington nesse movimento. Para ele, a ameaça não teria sido direcionada prioritariamente à Europa, mas sim “a 90% do planeta”, especialmente às nações do sul global.

BRICS e sul global no centro das tensões

Na avaliação do jornalista, o discurso foi recebido com aplausos em Munique, o que, segundo ele, indicaria alinhamento das elites europeias com a estratégia norte-americana. Do ponto de vista dos países do BRICS — como Brasil, Rússia, China, Índia e seus parceiros — Escobar sustenta que o cenário aponta para um confronto estrutural com o Ocidente.

Ele afirma que a agenda exposta em Munique se conecta a uma guerra híbrida contra o sul global, que poderia evoluir para conflitos abertos, especialmente envolvendo Rússia, China e Irã. “A máscara caiu finalmente e agora está claro o que vem pela frente”, declarou.

Escobar também argumenta que não haverá solução rápida para a guerra na Ucrânia. Segundo ele, há interesses financeiros envolvidos na manutenção do conflito, citando a dívida ucraniana, que, de acordo com sua análise, ultrapassaria US$ 200 bilhões e poderia chegar a US$ 300 bilhões. Ele resume essa lógica com a expressão em inglês: “Follow the money”.

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