No Acampamento José Alves da Silva, localizado às margens da BR-304, no município de Santa Maria (RN), um grupo de mulheres vive uma experiência de formação que vai além da alfabetização tradicional. Participantes do Projeto de Letramento “A Caminho da Terra”, elas estão aprendendo a ler e escrever a partir de suas próprias trajetórias de vida e da realidade que enfrentam no campo.

As participantes são militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e integram um processo educativo que busca ampliar não apenas a leitura e a escrita, mas também os chamados letramentos sociais — formas de compreender e expressar o mundo a partir das experiências concretas das comunidades.

Foi nesse contexto que surgiu o “Manifesto das Marias”, um texto coletivo produzido pelas próprias mulheres durante as atividades do projeto. No documento, elas narram suas origens, afirmam sua identidade e expõem as causas pelas quais lutam. O manifesto também traz denúncias sobre o uso de agrotóxicos, a violência contra as mulheres, o racismo e o feminicídio.

Ao mesmo tempo, o texto apresenta as aspirações dessas mulheres: acesso à terra para produzir, condições dignas de vida, educação e o direito de se expressar e participar das decisões que afetam suas comunidades.

A proposta pedagógica do projeto é inspirada nas ideias do educador brasileiro Paulo Freire, referência mundial em educação popular. Para Freire, aprender a ler não significa apenas decifrar palavras, mas também desenvolver a capacidade de interpretar a realidade e agir sobre ela.

Nesse sentido, o processo de letramento desenvolvido no acampamento busca fortalecer a autonomia das participantes, estimulando a leitura crítica do mundo e a construção coletiva de caminhos para o exercício da cidadania e da transformação social.

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