
Brasil 247 – A situação jurídica e política do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) sofreu um duro revés na semana em que se tornou réu por coação à Justiça, fato que pode tirá-lo da disputa eleitoral de 2026. A informação foi publicada pelo jornal Estado de S. Paulo e reforçada por análise do Valor Econômico, do jornalista César Felício, que aponta perda de protagonismo do parlamentar dentro da disputa pela liderança da direita no Brasil.
De acordo com a reportagem, caso a primeira turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condene o deputado antes do registro de candidaturas, ele poderá ser enquadrado nos critérios de inelegibilidade previstos na Lei da Ficha Limpa, que veta a participação de políticos condenados por órgão colegiado. A corte já formou maioria contra o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que soma duas condenações eleitorais e uma criminal.
Tarifaço recua após negociações e constrange discurso de Eduardo
A análise também destaca que o desgaste de Eduardo Bolsonaro ocorre justamente na semana em que avançaram as negociações entre o chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, que resultaram na atenuação do tarifaço imposto ao Brasil pelo presidente dos Estados Unidos Donald Trump. O tarifaço havia sido decretado sob o argumento de suposta perseguição judicial contra a direita brasileira — tese impulsionada pelo próprio Eduardo.
Trump anunciou a possível retirada de produtos como café, suco de laranja e carne do pacote de tarifas, movimento que diminuiu a expectativa de escalada da crise entre os dois países e enfraqueceu a narrativa do deputado.
Disputa interna na direita se intensifica
O enfraquecimento de Eduardo coincide com o aumento das especulações sobre quem representará a direita na disputa presidencial de 2026. A reportagem observa que, apesar de não ter adversário definido, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva perdeu pontos após a megaoperação policial no Rio de Janeiro, estimulando movimentos do campo oposicionista.
Ganha força a hipótese de candidatura do senador Flavio Bolsonaro (PL-RJ), o primogênito, o que geraria tensão com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), considerado o favorito do Centrão e da elite empresarial.
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