Sou um dos que defendem que a esquerda brasileira, inclusive a potiguar, precisa reanalisar profundamente suas estratégias de comunicação política e conexão com as massas.
Um dos diversos aspectos dessa análise deve ser a relação com o cristianismo, especialmente o catolicismo, o qual teve uma forte corrente progressista na América Latina durante o século XX.
No século XX, o catolicismo de base teve grande importância no fortalecimento de pautas progressistas, sobretudo no meio rural, bastando citar que os dois primeiros sindicatos de trabalhadores rurais do Brasil foram fundados no RN, ambos por padres.
Nas últimas décadas, porém, a esquerda veio dando cada vez menos importância ao “cristianismo de base”, ao ponto de ele quase não mais existir tanto no Brasil quanto no RN.
Sem cristianismo de base, cresceram as denominações evangélicas neopentecostais e, dentro do catolicismo, o movimento carismático, ambos com pouquíssima conscientização política e social, e com forte tendência a experiências meramente individuais.
Mente sem conscientização política é terreno fértil para o moralismo da direita, que sabe como ninguém reduzir temas morais complexos a discursos rasos com forte apego emocional.
Como consequência, enquanto a esquerda tornou-se cada vez mais indiferente ao cristianismo, a a direita conseguiu convencer a muitos de que “a vontade de Deus é que os cristãos, católicos e evangélicos, sejam de direita”.
Eis aí o gargalo da esquerda, que atesta sua incapacidade comunicativa nesses casos: o cristão que acredita que ser de direita é fazer a vontade de Deus não será convencido a ser de esquerda com base em argumentos econômicos, sociológicos ou políticos.
Porque nada se sobrepõe à vontade de Deus.
O único modo de convencê-los é comprovando, teolologicamente, que a tese da direita é mentirosa.
Mas como fazer isso, se sobram “teólogos de direita”, e os teólogos progressistas são cada vez mais raros?!
Que falta faz Dom Helder Câmara!!