Eles dizem defender “a família”, mas basta chegar no plenário que essa tal “família” vira fumaça — igual o gás que o pobre não consegue comprar. A MP do Gás era o mínimo do mínimo: garantir que quem vive no aperto pudesse ao menos acender o fogão sem fazer promessa. Mas aí aparecem os heróis do moralismo de palco, tais como Nikolas Ferreira e Sargento Gonçalves, levantando a espada da hipocrisia para votar contra.

Contra famílias reais. Contra gente que acorda cedo. Contra mães que contam moeda. Contra lares onde falta tudo, menos dignidade. A “família” que eles defendem é aquela do banner, do discurso, da live chorosa — não a que está aí, suando para botar um prato quente na mesa.

E é aí que mora a farsa: citam a Bíblia como se fosse senha de Wi-Fi, mas vivem desligados de tudo que ela diz. “Pelos frutos os conhecereis” (Mt 7:16) — e, meu amigo, o fruto desse voto fede mais que botijão furado. Tiago já avisava: “de que adianta dizer aquecei-vos, se vocês não dão o necessário?” (Tg 2:15-16). Pois é. Para eles, adianta curtida, adianta like, adianta lacração gospel. Para o pobre, não adianta nada.

A verdade nua, crua e vermelha como eu: quando a chance de ajudar famílias concretas aparece, eles preferem ajudar o próprio personagem. Família, para esses caras, é conceito; nunca é gente. Nunca é vizinha. Nunca é a mulher que vende quentinha. Nunca é o velho que cozinha com lenha.

No fim, sobra só isso: o povo improvisando a vida, enquanto os “defensores da família” improvisam versículos para justificar a covardia. A chama que falta no fogão dos pobres sobra na hipocrisia deles.

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