ICL – Por Cleber Lourenço

A CPI do Crime Organizado do Senado aprovou a quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático de Fabiano Campos Zettel, personagem que aparece nas investigações relacionadas ao caso Banco Master. A decisão foi tomada em sessão realizada nesta quarta‑feira (11) e faz parte de um conjunto de requerimentos aprovados pela comissão para aprofundar o rastreamento de fluxos financeiros e comunicações de pessoas ligadas ao núcleo investigado.

Zettel é empresário e também atua como pastor ligado à Igreja Lagoinha em Belo Horizonte. Nas eleições de 2022, foi o sexto maior doador individual do país, com repasses de R$ 3 milhões para a campanha do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e R$ 2 milhões para a do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), então candidato ao cargo. Segundo a defesa, as contribuições foram realizadas dentro do limite legal de 10% da renda bruta anual.

Ele aparece em investigações conduzidas pela Polícia Federal no âmbito da operação Compliance Zero, que apura possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master e pessoas do entorno do banqueiro Daniel Vorcaro.

Com a decisão da CPI, os senadores terão acesso a movimentações financeiras, declarações fiscais e registros de comunicações do investigado. O objetivo é reconstruir a trilha de relações financeiras e identificar eventuais transferências de recursos, intermediários e conexões com outros personagens que aparecem no caso.

A aprovação ocorreu no mesmo dia em que a comissão também deliberou sobre outros requerimentos de investigação e convocações de pessoas que aparecem nas apurações. Entre os pedidos aprovados estão solicitações de informações financeiras e a convocação de ex‑servidores ligados à supervisão bancária.

Pastor Fabiano Zettel
Pastor Fabiano Zettel. (Foto: WikiMedia Commons)
Reação

A decisão da CPI do Senado provocou reação na Câmara dos Deputados. O deputado Rogério Correia afirmou ao ICL Notícias que apresentou requerimentos semelhantes na CPMI do INSS, mas que as medidas não foram levadas à votação.

Segundo o parlamentar, a quebra de sigilo aprovada pelo Senado poderá esclarecer o fluxo de recursos relacionados ao caso.

“Foi preciso que outra CPI, a CPI do Senado, quebrasse o sigilo dos Zettel, porque o presidente da Comissão Mista Parlamentar de Inquérito do INSS [senador Carlos Viana] se negou a fazer e não colocou o tema na pauta”, afirmou.

Correia também defendeu a ampliação das investigações para outras instituições mencionadas nas apurações.

“Agora nós vamos saber o que tinha no telefone do Zettel e qual a quantidade de dinheiro que ele fez de lavagem de dinheiro do Banco Master para a Igreja da Lagoinha. E para onde esse recurso foi?”, declarou.

O deputado afirmou ainda que considera necessário avançar em novas medidas investigativas.

“É preciso ainda quebrar o sigilo fiscal da Igreja da Lagoinha e também da Clava Forte. Ao vermos o conteúdo do Zettel, vai ficar claro que isso tem que ser feito”, disse.

A CPI do Crime Organizado busca identificar eventuais conexões entre instituições financeiras, empresas e estruturas que possam ter sido utilizadas para movimentação irregular de recursos. A análise dos dados obtidos com a quebra de sigilos deve orientar os próximos passos da investigação e a eventual convocação de novos depoentes.

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