
Os levantamentos divulgados nesta quarta-feira, 24, pelos institutos Seta e DataSensus deixaram claro um cenário que já se desenhava há meses: Cadu Xavier não só irá ao segundo turno da disputa pelo Governo do RN em 2026 — como tende a chegar lá em posição de força.
A Pesquisa Seta, realizada em todas as regiões do estado, mostra Allyson com 37,1%, Rogério Marinho com 17,3% e Cadu com 12,1%. Uma leitura apressada poderia sugerir distância. Mas o dado essencial do levantamento é outro: Lula mantém 61% de aprovação no RN, reafirmando o estado como um reduto majoritariamente lulista. E, historicamente, quando a campanha estadual se nacionaliza, o eleitor potiguar migra para o candidato associado ao presidente.
É exatamente por isso que Cadu tem a maior margem de crescimento entre todos os nomes. A Seta aponta um volume significativo de indecisos — eleitores que, em sua maioria, também aprovam Lula. Esse grupo tende naturalmente a se alinhar ao candidato petista quando a disputa estiver mais clara.
A pesquisa DataSensus confirma essa dinâmica com precisão cirúrgica. No cenário tradicional, sem apoios explícitos, Cadu aparece com 6,6%. Mas, quando seu nome é apresentado como “Cadu de Lula”, ele salta para 18,5%, triplicando as intenções de voto e encostando nos adversários dentro da margem de erro. Essa virada mostra o óbvio: parte expressiva dos eleitores que hoje citam Allyson só o fazem porque ainda não sabem que Cadu será o candidato apoiado por Lula no RN.
A mesma DataSensus registra que Lula lidera a disputa presidencial no estado com 49%, contra apenas 10,1% de um candidato bolsonarista. O bolsonarismo tem teto baixo no RN; o lulismo, ao contrário, organiza o voto e define o segundo turno.
Nesse contexto, Cadu ocupa o espaço natural de convergência do eleitor majoritário: quem aprova Lula, rejeita o bolsonarismo e busca uma alternativa alinhada ao campo progressista. Quando o eleitor identificar claramente que Cadu representa o projeto de Lula no estado, a redistribuição de votos será inevitável — e decisiva.
Por isso, não se trata de aposta, mas de leitura lógica: Cadu não apenas chegará ao segundo turno, chegará competitivo.