Brasil 247 – Em visita de quatro dias a Nova Déli, acompanhado pela maior delegação brasileira já levada à Índia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a relação bilateral está “pronta para uma expansão decisiva”, com foco em comércio, investimentos e coordenação política em temas globais. Em entrevista exclusiva ao jornal The Hindu, conduzida pelo jornalista Shobhan Saxena, Lula resumiu o tom da viagem ao sustentar que “como duas das maiores democracias do mundo e economias dinâmicas, Índia e Brasil não podem permanecer distantes”.
A declaração serve de eixo para uma agenda que combina pragmatismo econômico e ambição geopolítica: ampliar fluxos comerciais hoje considerados modestos para o tamanho das duas economias, firmar acordos inéditos em minerais críticos, aproximar setores produtivos e defender uma governança internacional menos assimétrica — inclusive no campo da inteligência artificial e nas reformas de instituições como ONU, Banco Mundial e Organização Mundial do Comércio (OMC).
Comércio recorde, mas “muito abaixo do potencial”
Embora o comércio bilateral tenha atingido o maior patamar em 2025, Lula reconheceu que o volume segue aquém do que Brasil e Índia poderiam alcançar. “A Índia tem 1,4 bilhão de pessoas e o Brasil tem 215 milhões. Não faz sentido que nosso comércio seja de apenas US$ 15 bilhões”, afirmou. Para o presidente, a viagem tem como objetivo central “expandir significativamente nossos fluxos de comércio”, com a assinatura de acordos e a mobilização do setor privado.
Entre as medidas destacadas, Lula anunciou entendimentos em duas frentes com peso estratégico. A primeira envolve minerais críticos, em um acordo que ele descreveu como “o primeiro de seu tipo a ser assinado pelo Brasil”. A segunda mira pequenas e médias empresas, setor que ele apontou como grande gerador de empregos, com potencial de estimular cadeias produtivas e inovação em parceria com empresas indianas.
O presidente também ressaltou o papel do Brazil-India Business Forum, em Nova Déli, que reunirá “600 representantes dos setores privados dos dois países”. Para Lula, são “as parcerias e projetos conjuntos” do empresariado que transformarão o bom momento político em ganhos concretos: “Porque é o setor privado, por meio de parcerias e projetos conjuntos, que transformará a excelente relação que temos com a Índia em prosperidade compartilhada para nossas sociedades”.
“A resposta às guerras comerciais é mais comércio internacional”
A entrevista ao The Hindu sugere que Brasília enxerga a Índia como peça-chave de uma estratégia de diversificação econômica em um mundo marcado por tarifas, disputas tecnológicas e tensões comerciais. Lula foi direto ao associar o cenário de fragmentação ao resgate do multilateralismo: “Costumo dizer que a resposta à crise do multilateralismo é mais multilateralismo. E a resposta às guerras comerciais é mais comércio internacional”.
[Continua no site]