O presidente Lula viaja neste domingo para a cúpula do G7, em Evian, na França. Na pauta, o brasileiro pretende questionar o comportamento dos países ricos, buscar diversificação de mercados e, possivelmente, se reunir novamente com Donald Trump. Com um olho nas eleições, Lula deve usar o evento para reforçar sua imagem de líder com protagonismo no cenário internacional.
A cúpula está sendo marcada por tensões entre europeus e americanos, enquanto cidades no entorno do evento registram protestos e confrontos com a polícia local.
Segundo o ICL Notícias, Lula foi convidado pelo presidente francês Emmanuel Macron, mas o governo brasileiro hesitou em aceitar. A avaliação interna é de que o G7 perdeu centralidade no poder mundial, não tem legitimidade para tomar decisões globais e exclui os países emergentes. Ainda assim, a presidência optou por participar. O Brasil não terá espaço nas declarações finais e Lula disporá de apenas alguns minutos para seus discursos.
Na cúpula, Lula deve criticar as barreiras comerciais adotadas pelos países ricos, apontando-as como sintoma da crise do multilateralismo. O governo brasileiro defende que um bloco restrito a uma parcela da economia mundial não pode tomar decisões em nome de todos.
O presidente também cobrará os países ricos pela redução das verbas destinadas ao combate à fome e à pobreza, em contraste com o aumento dos gastos militares. Dados da Oxfam indicam que os membros do G7 devem cortar em 28% a ajuda ao desenvolvimento em 2026, na comparação com 2024 — a maior redução desde a criação do bloco, nos anos 1970. Os cortes são liderados pelos EUA (US$ 33 bilhões), Reino Unido (US$ 5 bilhões), França (US$ 3 bilhões) e Alemanha (US$ 3,5 bilhões).
Na agenda econômica, Lula deve usar a viagem para buscar alternativas às tarifas americanas. Está prevista uma reunião bilateral com a primeira-ministra do Japão, Tanae Takaishi, com o objetivo de lançar negociações para um acordo de livre comércio entre o Mercosul e o país asiático. Também está na pauta um encontro com representantes da União Europeia, em momento considerado estratégico para reabrir o mercado europeu à carne brasileira.
Quanto a Trump, um reencontro é possível — os dois devem estar na mesma sala durante a cúpula. No entanto, não há confirmação de encontro bilateral. O governo brasileiro entende que uma reunião sem resultados concretos teria pouco valor. O Brasil acredita ter margem para convencer os americanos a recuar das tarifas de 25% anunciadas por Trump, previstas para entrar em vigor em meados de julho, e não quer dar argumentos para que os EUA interrompam o diálogo.
