Brasil 247 – O deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ), pastor da Assembleia de Deus Missão e integrante da Frente Parlamentar Evangélica, fez um pronunciamento contundente em que reconheceu ter errado ao tratar Jair Bolsonaro como “mito”.
No discurso, reportado pelo Globo, Otoni afirmou que tem buscado se afastar do bolsonarismo e que hoje prefere “andar sozinho do que mal acompanhado”. O parlamentar, que foi vice-líder do governo Bolsonaro na Câmara, tenta agora reconstruir sua imagem pública e seu alinhamento político, aproximando-se do governo do presidente Lula.
“Me arrependo”: deputado critica idolatria e admite que “parecia um louco”
Otoni de Paula abriu sua fala com um reconhecimento que marca uma inflexão em sua trajetória política. “Me arrependo quando gritei mito num lugar onde só deveria cultuar o Senhor. A culpa nunca foi de Bolsonaro. A culpa foi minha mesmo. Por isso, resolvi alertar meus irmãos que estão no mesmo lugar que ainda estive”, declarou.
O parlamentar também afirmou que não deseja mais ser identificado como extremista.
“Estou envergonhado, porque não parecia um pastor. Parecia um louco, que acha que tudo se resolve na bala e no tiro”, disse, numa referência direta às posições radicalizadas que defendeu durante o governo de extrema direita.
As palavras foram proferidas um dia após o trânsito em julgado da condenação de Bolsonaro e de outros sete réus do núcleo central da trama golpista.
Distanciamento do bolsonarismo e aproximação de Lula
A ruptura de Otoni com o bolsonarismo não começou agora. Nos últimos meses, ele deu vários sinais de mudança.
Em 2024, o deputado elogiou publicamente o presidente Lula pela criação do Dia Nacional da Música Gospel, gesto que provocou reações negativas de lideranças protestantes mais alinhadas à extrema direita.
Mais recentemente, voltou a contrariar o antigo grupo político ao apoiar a indicação de Jorge Messias — então advogado-geral da União — para o Supremo Tribunal Federal, após o anúncio da aposentadoria de Luís Roberto Barroso.
Otoni também criticou a megaoperação policial realizada pelo governador Cláudio Castro (PL-RJ), que resultou na morte de 122 pessoas em comunidades do Rio de Janeiro.
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