O Potiguar – A repetição de grandes shows pagos com cifras elevadas — como os cachês destinados a Durval Lelys (800 mil), Sorriso Maroto (700 mil) e Léo Santana (600 mil) — revela um modelo de política cultural ancorado no retorno eleitoral imediato e na visibilidade episódica. Não se trata de demonizar eventos de massa, que têm seu lugar no calendário da cidade, mas de questionar a lógica quase exclusiva que concentra recursos em poucas noites enquanto a produção cultural local permanece à margem. Valores dessa magnitude poderiam sustentar editais públicos, fortalecer cadeias produtivas criativas e descentralizar o acesso à cultura, promovendo apresentações em bairros, praças e equipamentos públicos, com impacto social mais duradouro.

Uma política cultural consistente exige diversificação de instrumentos e continuidade no tempo. Em vez de apostar apenas no “showzão”, o poder público pode combinar eventos âncora com ações estruturantes: editais regulares, circulação de artistas locais, ocupação cultural do espaço urbano e programação distribuída ao longo do ano. Assim, a cidade deixa de ser apenas palco ocasional e passa a ser território apropriado por sua própria gente. O resultado é mais cultura, mais lazer e mais pertencimento — não por alguns dias, mas como política permanente.

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