Meteopoles – O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, afirmou, nesta segunda-feira (3/11), que a ex-procuradora-geral do Exército, Yifat Tomer-Yerushalmi, foi detida após admitir que autorizou o vazamento de um vídeo que mostra soldados israelenses em suposta tortura a um preso palestino. A informação vem à tona três dias depois de Yifat anunciar a própria demissão, na última sexta-feira (31/10).

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No domingo (2/11), dois dias depois, o caso ganhou ainda mais repercussão quando o carro da ex-procuradora foi encontrado perto de uma praia ao norte de Tel Aviv, levantando boatos sobre uma possível tentativa de suicídio. A polícia israelense negou a hipótese horas depois e informou que ela estava viva e sem ferimentos.

Entenda o caso
O episódio que deu origem ao escândalo aconteceu em 5 de julho de 2024. Na data, cinco reservistas que atuavam na prisão militar de Sde Teiman, no deserto de Negev, teriam torturado um detento palestino algemado e vendado.
Na ocasião, ele ficou com costelas quebradas, perfuração no pulmão esquerdo e lesões graves na região anal.
Relatos iniciais afirmavam que o preso havia sido estuprado na base militar, transformada em centro de detenção desde o início da guerra entre Israel e Hamas.
A acusação formal contra os soldados não registrou crime sexual, mas diz que um deles utilizou um “objeto cortante” para causar uma laceração interna. A Promotoria Militar baseia o caso em imagens de câmeras e documentos médicos.
A investigação provocou forte reação de grupos da extrema direita israelense. Em protestos, manifestantes chegaram a invadir duas bases militares depois que autoridades solicitaram o interrogatório dos soldados.
Dias depois, um vídeo da câmera de segurança foi vazado ao canal N12. As imagens mostram os soldados cercando o detento com escudos e um cão. Em determinado momento, ele aparece caído no chão.
Na carta de renúncia, divulgada na sexta, Yifat confirmou que autorizou o vazamento em agosto de 2024 para defender a credibilidade do departamento jurídico militar. Segundo ela, o órgão vinha sendo alvo de ataques políticos.

“Os detidos em Sde Teiman são terroristas (…) da pior espécie. É imperativo levá-los à Justiça. Contudo, isso não diminui nosso dever de investigar quando houver suspeita razoável de violência contra um detido”, afirmou ela no documento. “Infelizmente, esse entendimento básico — de que existem ações que jamais devem ser tomadas, mesmo contra os detentos mais vis — já não convence a todos.”

Confissão do vazamento
Ela afirmou, também, que aprovou a divulgação do material à mídia numa “tentativa de combater a propaganda falsa dirigida contra as autoridades militares responsáveis pela aplicação da lei”.

“Assumo total responsabilidade por qualquer material divulgado à mídia a partir da unidade”, disse
Contudo, o escândalo passou a ser usado por aliados do governo para tentar barrar punições ao reservistas. No domingo, advogados dos cinco soldados pediram o arquivamento do processo, alegando que o vazamento “comprometeu a legalidade do julgamento”.

A divulgação das imagens reacendeu o debate sobre abusos cometidos contra palestinos detidos desde o início do conflito.

Ex-procuradora é atacada após divulgação
Diante do caso, membros do gabinete de Benjamin Netanyahu também atacaram a ex-procuradora. Além disso, Israel Katz, ministro da Defesa, disse que qualquer pessoa que inventasse crimes “contra soldados israelenses era indigna de vestir o uniforme”. Já Ben-Gvir celebrou sua saída e exigiu investigações mais amplas do caso.

Na primeira declaração sobre o tema, Netanyahu pediu uma “investigação independente e imparcial” sobre o vazamento. Ele também reconheceu que o episódio “causou imensos danos à imagem do Estado de Israel”.

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