Inicio hoje a série “Profecias Raposísticas”, na qual apresentarei algumas “previsões” sobre o pleito de 2026.

As análises partem da conjuntura material atual, observada em paralelo às prováveis dinâmicas políticas que devem se formar até as eleições. Não se trata, portanto, do que desejo que aconteça, mas do que acredito que efetivamente acontecerá — independentemente de simpatias ou preferências pessoais.

A primeira previsão é a seguinte: caso seja, de fato, candidato, o vereador Mateus Faustino tende a ocupar a vaga de um dos atuais deputados federais bolsonaristas.

No Rio Grande do Norte, há hoje três deputados federais identificados com o bolsonarismo: Carla Dickson, General Girão e Sargento Gonçalves. A decadência dessa seita política, por si só, já dificulta a manutenção de três cadeiras pela extrema-direita, sendo mais plausível a redução para apenas duas.

Os três enfrentam, desde agora, entraves relevantes ligados à formação de nominata. Um “chapão” do PL, com todos juntos, dificilmente elegerá mais de dois, pois já não há extremistas suficientes para “bater esteira”. Quem ficar fora do PL, por sua vez, tende a sair ainda mais fragilizado, perdendo conexão orgânica com o núcleo do extremismo.

Além disso, os atuais deputados acumularam contradições graves: “patriotas” que apoiaram publicamente a traição de Eduardo Bolsonaro ao país; “anticorrupção” que votaram a favor da PEC da Bandidagem e da redução de penas para criminosos; “cristãos conservadores” que hoje pagam o preço do desgaste do chamado “cristianismo bolsonarista”, cada vez mais distante de Jesus.

O bolsonarismo entra em fase acelerada de decadência e, para sobreviver, tende à radicalização progressiva. Com o “gado de ouro” preso e silenciado, abre-se espaço para lideranças de direita que operam como “extremistas sem Bolsonaro”. É esse vácuo que o MBL tenta ocupar, por exemplo, com a candidatura de Renan Santos à Presidência.

Nesse cenário, surge Faustino. Sua principal estratégia deve ser a da “não política”: a produção constante de cortinas de fumaça para canalizar ressentimentos. A estética tende a ser a de um extremista digital capaz de fazer o que o bolsonarismo analógico não conseguiu.

O grande trunfo dos deputados atuais são os milhões em emendas parlamentares. Ainda assim, diante da conjuntura descrita e da eficiência da guerrilha comunicacional do MBL, minha aposta é que Faustino tome uma das vagas da extrema-direita — pois, nesse campo, a capacidade de mobilizar ressentimento pela pós-lógica vale mais do que dinheiro.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Ao clicar no botão ACEITAR, O usuário manifesta conhecer e aceitar a navegação com utilização de cookies, a política de privacidade e os termos de uso do BLOG DEBATE POTIGUAR, moldada conforme a LGPD.