Blog do Barreto – Em entrevista ao programa TMJ da FM Universitária, o secretário estadual de saúde Alexandre Motta questionou o modelo de destinação de verbas do senador Styvenson Valentim (PSDB) e sugeriu que recursos deveriam ter sido aplicados no Hospital Metropolitano de Natal.
Ele teceu duras críticas à estratégia do senador Styvenson Valentim em relação à destinação de emendas parlamentares para a saúde. Segundo Motta, o senador mudou seu perfil político, passando de um discurso antissistema para se intitular um “candidato da saúde”, mas questionou a eficácia pública de seus investimentos na Liga (Liga Norte Riograndense Contra o Câncer).
Para o entrevistado, há uma distorção na narrativa de que o senador seria o responsável direto por obras na instituição. “Ele pega dinheiro público, oferece esse dinheiro público para uma entidade privada, mesmo que filantrópica, que é a Liga, e ele diz que ele constrói hospital. Ele não constrói hospital de coisa nenhuma, ele não constrói nada. Quem constrói é a Liga”, disparou Motta.
Dinheiro de custeio x Patrimônio privado
Alexandre Motta detalhou o que considera ser o mecanismo utilizado: o senador envia verbas para custeio (compra de insumos e pagamento de pessoal), o que libera o caixa da instituição privada para investir em patrimônio próprio.
“Ele manda dinheiro de recurso de custeio para a Liga comprar remédio, antibiótico […] pagar a sua folha. É isso que ele está mandando o dinheiro. Aí a Liga usa esse dinheiro, pega o seu próprio recurso e constrói os seus serviços”, explicou.
Motta alertou para o risco futuro desse modelo, caso a entidade decida mudar sua natureza de atendimento. “No dia que a Liga disser assim: ‘Não, eu não quero mais ser filantrópica, não quero mais atender SUS’, ela vai estar com um patrimônio gerado, baseado num recurso público”.
Alternativa para a Saúde Pública
Apesar das críticas, Alexandre Motta ponderou que não classifica a ação como necessariamente ruim, mas sim mal direcionada sob a ótica do interesse estritamente público. Ele sugeriu que o montante investido poderia ter viabilizado uma obra estruturante para a capital.
“Se ele tivesse botado essa dinheirama que ele botou dentro da Liga, ele poderia ter botado, por exemplo, na construção do Hospital Metropolitano de Natal”, concluiu.