Um pai angustiado com a demora para o atendimento de sua filha é algo que nos comove a todos. Compartilhamos de sua indignação. A rede hospitalar do Rio Grande do Norte carece urgentemente de ampliação e modernização. Mas também não podemos fazer eco à culpabilização dos profissionais da saúde, que por vezes surge como efeito colateral do cansaço da população com a situação de nossa saúde, pública ou privada.

O mais recente caso, envolvendo o diretor-médico do Hospital Rio Grande Luiz Roberto Fonseca, chamou a atenção da mídia natalense, que como sempre teve momentos de sensacionalismo irresponsável.

A difícil situação de nossa rede hospitalar vem sendo agravada por um surto de viroses respiratórias e de arboviroses, e também de dengue. Os profissionais estão sobrecarregados, em turnos exaustivos, e não como multiplicá-los do dia para a noite.

Temas complexos como este descartam abordagens maniqueístas. Têm razão os pacientes que se exasperam. Mas também têm razão os profissionais que, fazendo o possível, procuram preservar as condições necessárias de organização e segurança para realizar seu trabalho.

Em tempos de cancelamento sumário pela internet, é fácil tomar um partido e condenar quem quer que seja. O difícil em tais momentos é enxergar a situação com lucidez. O dr. Luiz Roberto, como os próprios vídeos mostram, procurou contornar uma situação que fugiu ao controle, sendo envolvido num incidente que injustamente recaiu sob sua responsabilidade, ao tentar defender a integridade de sua equipe. Essa constatação não menospreza o sofrimento dos pacientes, mas põe limites necessários à revolta que deve ter seu foco nos problemas, não na ofensa aos profissionais da saúde.

Os profissionais da saúde sequer saíram da maior crise sanitária de nossa geração, a pandemia de Covid19, e já lidam com novas epidemias. O desgaste físico e mental merece atenção e consideração por parte uma sociedade que os aplaudia das janelas dos apartamentos. O sensacionalismo, que rende cliques e audiência, pouco ajuda na solução dos problemas reais. E condenar Luiz Roberto Fonseca é mais um desserviço que a opinião apressada e carente de audiência presta a nossa sociedade. É preciso solidariedade aos profissionais que vêm dando seu máximo em tempos tão duros para todos.

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